sábado, 9 de abril de 2016

AH TA, ME POUPE!!!

E era exatamente desse jeito que eu estava hoje cedo quando acabei meu treino. Roupinha nada sexy parecendo um menino mesmo, esbaforida, suada, com olheiras e a minha famosa e ridícula pochete pendurada(me da outra dica pra carregar chaves, documento, celular e bombinha que eu abandono ela), quando eu passei por dois garotos de seus 20 ou 21 anos e escuto: - eu comia, e tu?. Ah querido, não deu outra. Sangue ferveu. Virei, olhei bem pra cara dele e respondi: "ah não...tu não comia. NUNCA!!!" A gente, me poupe. Eu já tenho que ter a maior força de vontade do mundo pra levantar da cama cedo e sair pra treinar em pleno sábado. Não é fácil, e ainda não é natural pra mim. Quem me conhece sabe que eu sempre busco mais o confortável que o bonito, que eu preciso de foco, e que eu estou correndo atras de uma meta muito antiga, dai vem dois pias de bosta(com perdão da palavra) e fazem questão que eu ouça esse comentário??? Você até pode pensar, comentar com seu coleguinha, nós também fazemos isso, mas ei... não seja indelicado, respeite toda mulher, tem hora certa pra tudo, até pra fazer ela ouvir um "eu comia". Não ela não vai se sentir lisonjeada, desejada, sexy ou feminina. Não as oito horas da matina, suada, cansada, determinada e com uma pochete pendurada na bunda. Amamos elogios, adoramos nos sentir feminina, e nada como um homem pra nos fazer sentir assim. Mas eu disse um homem, não um verme. Passado a fúria matinal, cheguei em casa, tomei um copo de água gelado, tirei o tênis e me joguei no sofá. Mais calma, suspirei, me olhei novamente, achei graça de tudo aquilo e pensei: quer saber? Ele foi muito infeliz no comentário, mas eu concordo com ele.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quem queimou mesmo o sutiã???

Não, não sou machista. Não sou a favor de nenhum retrocesso. Mas ei, to cansada, me deixa. Cansada de dar conta de tudo sozinha. Hellooo!!! Não, eu não dou conta(sempre). Dias como os de hoje me fazem largar no sofá e chorar. Sim, eu choro. Não to sempre sorrindo e fazendo palhaçada. Não sou aquela mulher que da conta de tudo sozinha não. Apenas me viro do jeito que dá. E Ponto. - Sandrinha, não gosto de te ver assim. Pois é, se você não gosta meu amigo, imagina eu. Assim como eu, conheço mais uma caminhão de mulheres que se viram nos trinta. Leoas, cavalas, camelas. Diferente do que ouço, não é uma opção estarmos ai dando conta de tudo. Apenas tocamos em frente, com pausas, mas tocamos. A gente para sim. Deprime. Faz bico(e que bico). Chora... mas dai olha pro lado e suspira, enxuga uma lágrima, lava o rosto e vai lavar a louça. Acho que assisti seriado demais na minha infância. Mulher maravilha, Mulher Bionica, As Panteras, Jeannie é um gênio.
Fomos criadas para sermos assim. Esse tipo de mulher. A mulher maravilha, que trabalha fora o dia inteiro, cuida da família e ainda salva o mundo. Mas e os homens??? Será que na época que eu assistia esses seriados de meninas existiam seriados mostrando o quanto a gente precisa do companheiro pra dividir tudo isso?? Que eu me lembre, passava Magaiver, que fazia uma bomba de um chiclets, e o Incrível Hulk que acabava sempre numa estrada sozinho. Caramba. A maldita que queimou o sutiã não devia ter peito. Me perdoe o desabafo, mas quando você olhar pra uma mulher como eu(e tem milhares por ai), olhe através dela. Tome a frente. Carregue uma sacola, mesmo que ela diga que da conta. Abra a porta do carro, mesmo que ela dirija. Diga que ela esta linda, mesmo ela sabendo que esta. De colo. Deixe-a chorar. A gente aprendeu desse jeito. É verdade, a gente da conta sozinha, não porque quer, mas porque é preciso. E sim, precisamos de vocês homens, amigos, irmãos... Precisamos do sexo oposto pra nos lembrar que apesar de tudo, ainda somos mulheres.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Tu és a glória do teus fundadores...

Não, não nasci em Joinville. Vim pra cá aos 4 meses com meus pais fugindo de uma guerra, porém hoje moro em Joinville por opção. Amo essa cidade, ainda quero morar na praia, mas isso é quando me aposentar(falta um tiquinho). Também passei por boa parte que vocês Fernanda Cagneti e Vanessa Gonzaga tão bem me fizeram relembrar no facebook, com algumas pequenas diferenças. Estudei no Chapeuzinho Vermelho, Furj, Adventista, Bom Jesus e Positivo. Ainda na infância passava o verão em Barra Velha, pegando a 101 que não era duplicada, mas já achávamos super rápido chegar lá. Brincava de subir em árvores pra comer carambola, e andava de carrinho de rolimã pertinho do centro, na casa das vizinhas Marisa e Rita. Fiz comunhão na Igreja Santo Antonio, não lembro do padre não. A primeira vez que participei no festival de dança foi no 7º, e também amava passar as tardes na casa da cultura onde as gincanas eram comandadas pela Fabiola Bernardes. A primeira "balada", que chamávamos apenas de Boate, foi o Tênis Clube, tinha também o Rariah e Chamonix. Como gostava de samba, também ia no Bar da Sandra(não era meu), Tropical e no Fofão. Carvanal era na Liga. Meu primeiro cinema no Cine Palácio. Meu primeiro shopping, Shopping Joinville, conhecido depois como Shopping Americanas. Ainda adolescente, tomava banho de rio no Piraí, pulava sem nenhuma responsabilidade daquelas pedras. Enfim, Joinville cresceu muito. Ainda reclamamos sim porque não conseguimos lugar para almoçar as 14:00, e poderíamos ter mais eventos culturais. Mas ela não esta parada no tempo. Se você mora em Joinville e não gosta, vaza. Se você esta há mais de cinco anos nesta cidade sem gostar, não venha me dizer que é por falta de escolha. Se esta aqui ainda, e continua reclamando, me desculpe, mas é por pura estagnação sua ou incompetência própria. Vai a luta. Sou muito feliz na minha cidade, e sim, ela não é perfeita também. Se você ainda esta aqui, não gosta e ganha seu sustento nesta cidade, seja educado e inteligente. Guarde pra si, ou divida apenas com seus amigos numa rodinha de bar. Do contrário, faça como nós, e mostre o que existe de belo e encantador nesta linda cidade que é a glória dos seus fundadores. Abaixo, o olhar de mais uma nascida aqui e com orgulho desta cidade, Nani Cabral Fotografia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Ih choveu, cabelo encolheu!

2011, 2012, 2013, 2014...ufa...2015!!! Sim, passou muito tempo desde a última vez que escrevi no blog. Não me pergunte porquê, nem eu mesma sei. Falta de tempo, de dor, de inspiração, de amor...acho que até mesmo falta de vontade. Minha vida mudou muito de lá pra cá. Meio óbvio, seria patético estar tudo na mesma. Fiquei aqui pensando em que imagem colocar, e pensei na recente mudança de visual, e que analisando bem, voltei quase a estaca zero. Estava tão grande e cortei de novo!! O liso é apenas momentâneo, na saída correndo do salão pro carro já começou a aparecer os cachos.
E porque retornar hoje? Nem sei se é um retorno, apenas estou em casa, sozinha, e com vontade de escrever. E sem assunto específico. Nenhuma emoção a flor da pele que me movesse a escrever, apenas sentei e fiz. Nesses 4 anos minha avó Georgina morreu literalmente, e digo literalmente porque o luto dela já havia sido vivido por mim no início de sua doença. Meu gato morreu, sim o Lucas, que tinha um gênio igual a mim, teve um infarto. Atualmente adotamos a Paçoca, uma gata que é um grude, manhosa, carente e que acha que é um cachorro, corre atras do rabo, obedece, busca brinquedos e vem quando chamada. Sai de um emprego de 9 anos, e assumi o risco de mudar totalmente e ter apenas um único emprego, e não mais 3 ou 4 como era antes. Agora convivo com as mesmas pessoas a maior parte do dia(tinha medo danado disso). Continuo sendo dois(eu e minha filha), e achando que ser três ainda não cabe na minha vida(balela, quando me apaixonar, isso deve mudar). Enfim, ando serena. E gosto. Sem muitos altos e baixos, mas de vez em quando se aventurando a fazer uma escovinha pra mudar, com a segurança que a chuva me traga de volta. "Ih choveu, cabelo encolheu todinho". P.S. O cabelo será doado. Continuo acreditando que nada é por acaso.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Réu...mas não confesso!!!

Credo Sandra, como roubam coisas de você!!!
Essa frase dita ontem na dança de salão, num bate papo descontraído, me fez pensar muito a respeito de alguns acontecimentos.
Realmente já "perdi" algumas coisas na vida, nunca por roubo (graças ao ladrão), mas muitos furtos...
O primeiro furto que me vem a cabeça, eu fui a culpada. Por este, confesso. Eu deveria ter cerca de 3 anos (meu problema com memória é apenas a recente), arranquei uma boneca das mãos de uma outra criança e sai correndo. Minha avó uma portugesa quase que ditadora, me deu umas belas palmadas e me fez devolver a boneca. Será que a lei de causa e efeito começou a valer a partir daquele episódio???
"...livrai-me de todo o mal, amém! "
Livros, Cds, casaco, sapato de dança, bota, bicicleta, bolsa, jóias, caneta, relógio, dinheiro, batom, carro, etc, etc, etc...
Não conseguiria lembrar de tudo que já me foi tirado sem meu consentimento. Porém essa frase ficou martelando. Será que sou eu culpada por alguns desses "pequenos" delitos? Será que não cuido direito das minhas coisas?
Não é segredo pra ninguém que tento praticar o desapego...será então que tudo isso seria uma provação?
Já tentaram roubar sonhos, esperança, amigos, paqueras, namorados, até irmã... Ei, só lamento. Nesse mundo ninguém é de ninguém. Você não conseguirá roubar algo que não me pertence. Nem o carro era meu...ele ainda era do banco...tive direito a parte que me cabia.
Mas, e se eu tivesse colocado o carro dentro do estacionamento, estaria eu livre da culpa? E se não tivesse emprestado o livro? E se tivesse colocado um alarme no carro, meus cd's ainda estariam lá? E se tivesse enfiado uma coleira no namorado, ele ainda seria meu?
Quer saber, semana passada roubaram um carro de dentro do shopping e um amigo ciumento perdeu sua paixão pro seu próprio irmão.
Continuo fazendo a minha parte. Pago seguro do carro, de vida, marco meus livros, meus cd's, uso minhas jóias, e cuido (a minha maneira) dos meus amores. Sou réu, mas, não confesso!
A frase me fez pensar que talvez eu deva aprender a cuidar um pouco mais das minhas coisas, e pasmem, estou colocando o carro em estacionamento desde então.
Aprendi a duras penas que pagar o seguro não vai me trazer o meu carro novamente, eu sei... mas quer saber? Trouxe um novo!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O que seria de mim sem envelhecer uma toalha...

Sai do banho agora há pouco. Quente e demorado. No frio e no chuveiro não tenho nada de boa moça, nada...nem um pingo de consciência ecológica. Quente demais. Demorado demais. Porém antes de entrar no banheiro é imprescindível não esquecer da toalha. Caso contrário geralmente não tenho a quem recorrer com aqueles gritos: pega uma toalha pra mimmmmm????
Hoje quando fucei minha gaveta me deparei com uma toalha nova no fundo, brinde de uma das empresas que já prestei serviços. Essa toalha deve estar na gaveta há pelo menos uns 4 meses sem uso. Ta ai uma coisa que não compro: Toalhas. Espero ganhar, e olha que quando as ganho acabo ainda achando estranho pois jamais daria de presente pra alguém, porém ao ser presenteada com um jogo delas sempre vejo o quanto estava precisando e nem tinha me dado conta. A Tati que o diga...rs
Sempre que vou pro banho acabo pegando a mesma toalha, ou, as mais surradinhas, velhas, rasgadas, manchadas...
Toalha nova é boa pra exibir, oferecer a visita, levar na mala quando você vai passar um tempo na casa de alguém, mas geralmente ela é bonitinha e ordinária. Bem apresentável, porém não seca nada. Escorrega no corpo. A água não é absorvida pela toalha. Ela chega a ser gelada. Fria mesmo.
Toalha boa pra mim é aquela toalha que um dia foi branca, e agora é cor de burro quando foge (ta, eu sei que o correto seria corro de burro quando foge, mas o fato é que eu mudaria de cor ao ver um burro correndo atrás de mim...rs).
Toalha boa é uma desfiada que tenho, meio rasgada, com manchas, mas que conhece meu corpo como nenhuma outra. Ela praticamente se molda ao sentir minha pele. Não escorrega no meu corpo, toalha velha adere a ele. Sabe cada segredo, cada vão, conhece cada cicatriz, cada sinal, adora absorver a água de cada celulite gostosa da minha bunda... Toalha velha conhece meu corpo como toalha nova alguma ousou conhecer. Toalha velha me acompanhou nos momentos mais marcantes da minha vida. Me viu chorar, me viu orar, me viu relaxar, me viu gozar. Banheiro sempre foi meu abrigo; Meu divã; Meu confessionário; Meu motel.
Não, não vou ser hipócrita. Os brindes que ganhei de final de ano daquela empresa da nossa cidade que um dia trabalhei por noites regadas a café do meu amigo enfermeiro, tem toalhas maravilhosas, macias, e até com ervas aromáticas, terapêuticas, e são novas...Já ganhei, usei, gostei, mas (e sempre tem um mas), elas ficaram melhores ainda quando ficaram velhas. Fato.
Tento, juro que tento me desfazer de certas toalhas velhas...mas quando entro no banheiro, ligo o chuveiro, tiro a roupa, deixo o vapor inundar a casa...corro nua pro meu quarto (sim, geralmente esqueço de pegar a toalha antes), abro a gaveta, e até olho pra toalha de cor intensa, novinha, pouco usada... porém remexo, bagunço, e acabo buscando aquela velha conhecida companheira de um dos momentos mais intensos e íntimos do meu dia...Afinal, pra que você quer uma toalha? Pra te enxugar ou pra te cobrir por um tempo? Cada coisa no seu lugar...Toalha não é lençol...e não tente enxugar seu lindo corpinho com um pedaço de tecido ou pano lindo...não tem o mesmo efeito. Quebra o galho, faz parte do desespero, afinal molhada no frio ninguém quer ficar. Mas jamais darei a toalha velha pra uma visita, minha avó ensinou que devemos oferecer as visitas algo apresentável. Pode deixar, tenho as novas guardadas pra vocês. Mas ei, usei um pouquinho também né...tive que amaciar antes.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Oração da Serenidade

Deus, conceda-me serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso mudar;
coragem para mudar aquelas que posso;
e sabedoria para reconhecer a diferença entre elas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Fábula do Sapo e do Escorpião

O Escorpião aproximou-se do sapo que estava à beira do rio. Como não sabia nadar, pediu uma carona para chegar à outra margem.
Desconfiado, o sapo respondeu: "Ora, escorpião, só se eu fosse tolo demais! Você é traiçoeiro, vai me picar, soltar o seu veneno e eu vou morrer."
Mesmo assim o escorpião insistiu, com o argumento lógico de que se picasse o sapo ambos morreriam. Com promessas de que poderia ficar tranquilo, o sapo cedeu, acomodou o escorpião em suas costas e começou a nadar.
Ao fim da travessia, o escorpião cravou o seu ferrão mortal no sapo e saltou ileso em terra firme.
Atingido pelo veneno e já começando a afundar, o sapo desesperado quis saber o porquê de tamanha crueldade. E o escorpião respondeu friamente:
- Porque essa é a minha natureza!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crocodilo Tic Tac

E duas semanas se foram...
Iniciei o que achava que seria a grande limpeza da casa e da alma, mas o tempo passou rápido demais. Não organizei nem metade do que pensava. Achei que duas semanas de férias de um dos meus empregos seria o suficiente para organizar a casa e a vida. Ledo engano.
Um pequeno detalhe passou batido. Esqueci que estava no mês de julho. Festival de dança. Férias da Duda. Folga da diarista. Muita coisa pra me tirar o foco.
Não consegui lixar e pintar a "porta" da lavanderia como havia me planejado (desculpa Déa, não cumpri a promessa). Não organizei a estante preta bagunçada no meu quarto. Não toquei no artigo da especialização. Não li os livros que comprei. Não vi o filme que aluguei. Enfim, não vou ficar com essa culpa só pra mim. No meio disso tudo, assisti novamente( com criança em casa você sempre assiste algo novamente, again, de novo, forever...aff) o filme "Em busca da Terra do Nunca".
Chorei. Não havia chorado na primeira vez. Mas dessa vez chorei, e sorri. E dividi a culpa com o crocodilo tic tac. Sim, o tempo nos persegue. E como eu pude achar que colocaria a casa em ordem sozinha? Não bati cartão todas as noites no Campeonato de dança de salão? Não dispensei a diarista? Esqueci que sou mãe e em julho minha filha não tem aula??? Ei crocodilo...lamento, mas conviva com isso: Eu não te odeio.
Ta certo, não ia conseguir tirar férias prolongadas e visitar a terra do nunca em apenas duas semanas. Será??? Então. Estive lá sim, mas essa terra não é pra mim.
Mas agora eu sei o caminho, e sim crocodilo, eu voltarei sempre que quiser, porém sempre deixando migalhas de pão para não esquecer o caminho da minha casa bagunçada. Ah ta, desculpa, essa é outra história infantil...
Mas o blog é meu, a casa é minha, e o atalho pra chegar na terra do nunca é só meu também. Cada um que faça o seu.
E no meio de tanta bagunça que eu achava que tinha que dar conta sozinha, enquanto eu preparava um jantar para receber minhas visitas, eis que surge a minha Wendy pra me salvar.
- Mãe, vem ver o teu quarto.
Adivinhem. Arrumou a minha estante preta. Do jeito dela, a maneira dela.
E assim o crocodilo ficou mudo por alguns dias.
Não, o tempo não para. Já cantava Cazuza. Mas se tivermos alguém pra dividir o tempo com a gente, conseguimos atrasá-lo. E quando me refiro a alguém, entendam esse "alguém" como qualquer pessoa ocupando qualquer categoria na sua vida. Filhos, pais, amigos, namorados, vizinhos, cachorro ou gato... É uma delicia viver intensamente e lentamente cada momento com cada "personagem" que entra na sua história...e é mais maravilhoso ainda poder chorar ao entrar na terra do nunca e sorrir ao sair dela. Eu sei o caminho. Posso me perder, mas mesmo dando voltas e voltas, sempre acho o caminho de volta pra minha casa não mais suja, nem bagunçada...apenas com algumas coisas ainda fora do lugar. Afinal, quero um lar de verdade, e não uma casa de revista.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Casa bagunçada e suja

Acordei inspirada. Pra faxina da casa e da vida. Pausa pra respirar e usar a bombinha no meio de tanto pó. Me dei conta que não entro aqui desde o ano passado. Então imagine quanta poeira acumulada tava colocando embaixo do tapete.
Não adianta. Meu tapete é de crochê, minha mãe que fez, tem espaços vazios no meio das flores.
E outra, tenho rinite. Não posso usar o Foraseq como socorro como tenho feito ultimamente. Ele é tratamento. A bombinha, o Aerolin que é o socorro. Essa semana pretendo arrumar a casa. E volto aqui pra organizar melhor, pois dispensei a diarista por duas semanas.
Vou ter que dar conta sozinha.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E.T., Telefone, Minha Casa...

"Todos os objetos colocados em órbita um dia voltarão à Terra, mas muitos deles levarão centenas, milhares ou mesmo milhões de anos para reentrar na atmosfera, alguns, por suas dimensões e constituição, serão consumidos pelo atrito." (Os perigos do lixo espacial - Super Interessante). Do ano passado pra cá, é mais ou menos assim que minha vida se encontra. Sinto que estou morando no espaço, à deriva, sem rumo, levitando, cercada de "lixo espacial". Não sei se isso se deve ao fato da perda do meu pai, no fundo acredito que este fato foi apenas um grande contribuidor, não a gota pro copo transbordar, porque ainda não transbordou. Acho que meus copos são de plásticos resistentes, com um micro furo, que nunca transbordam e nunca esvaziam. E é bem provável que os tenha comprado numa promoção, pague 100 e leve 200. Perda da base,, do herói, do amigo, do braço direito, do homem que sempre esteve presente em minha vida. Talvez esteja melancólica hoje justamente por ser dia dos finados. Mas que diabo,não consigo lembrar de outro dia dos finados que tenha dado um dia tão lindo. Não vou no cemitério. Não que nunca vá, mas nesses dias não gosto. Funciona pra mim como igreja. Gosto de ir quando estão vazios. Onde eu possa chorar, orar, sorrir, lembrar...enfim, talvez meu psiquiatra esteja realmente certo e o meu maior mal seja o déficit de atenção e não a depressão. Tai mais um motivo. Preciso de foco. Preciso de foco até para sentir dor ou fé. Não posso me distrair num cemitério com aquela multidão, nem tão pouco orar numa missa onde aquele senta e levanta, canta e ora, ajoelha e repete, me dispersa totalmente me afastando do objetivo principal. Em março voltei pra casa da mãe, mais um emprego, aumentei minha carga horário, iniciei uma pós-graduação, e desde então me sinto largada como se fosse um lixo espacial. Não consigo achar se quer um livro, minhas roupas apertadas, tudo largado, improvisado, pois a mudança acontecerá ainda este ano, este mês... Meus horários apertados, sem tempo, ou no mínimo sem cabeça para organizar meu tempo. Orçamentos na hora do almoço, tarefas com a filha no intervalo desse mesmo almoço, academia, sem tesão nenhum. Preciso de foco, estou distraída na minha bagunça. Preciso de foco pra sofrer, pra sorrir, pra dançar, pra amar... Santa Ritalina, que no meio disso ainda me ajuda a pelo menos na hora do trabalho não me distrair com um pedaço de algum satélite que possa estar passando pela minha órbita. Não sei pedir ajuda, e o pior, não lido bem quando peço ajuda e não a recebo. Aprendi sim a me virar sozinha, mas saibam, isto não é uma opção. Ta meio enraizado, agir por impulso, não pedir ajuda, passar a ideia de que estou bem, e que dou conta. Ta bom...sei que dou conta. Não quero mudar a imagem de uma hora pra outra de mulher guerreira, pra mulher coitada. Na verdade não gosto de nenhum dos dois títulos. Se pudesse escolher, optaria em que os outros me vissem como uma mulher forte, que não foge da batalha, mas que tem medo sim, e que precisa de colo, mas que não sabe pedir colo. Se precisar tocar sozinha, ela toca, mas ela preferiria apenas dividir... Dai me vejo novamente no espaço, com caixas empilhadas, pronta pra mais uma mudança (minha mãe não suporta mais essa minha vida de cigana, como ela mesma se refere), desviando dos pedaços de lixo espacial, de olho pra não cair no buraco negro...dizem que de lá ninguém sai, mas já existem teses dizendo que lá possa ser o começo... Por toda essa loucura,delírio imediatista, pois não sei editar, apenas jogar aqui, é que me deu saudade de assistir E.T..
Primeiro filme que assisti no cinema, talvez por isso nunca tenha sonhado muito com um príncipe encantado, um castelo, e uma única possibilidade de final. Me fascinei tanto com aquele filme, com aquela mistura de lágrimas, gargalhadas e sentimento puro, que eu teria ficado feliz com os dois finais, ele ficando ou ele indo...essa história me emociona mais, assistiria novamente mesmo odiando ver filmes repetidos. Um garoto convicto, determinado, igual ao Elliot que ajudou E.T. a retornar pro seu planeta, e uma menina doce, meiga, com fé, igual a Gertie que deixou todo o filme mais lindo e apaixonante...Isso sim é filme romântico, pra você se dar ao luxo de sonhar e sair dessa estranha realidade.

domingo, 11 de julho de 2010

Sta. Vania da Tuiuti

Foram dois finais de semana de aula de ética, pra concluirmos que Ética não se aprende, você nasce com ela. Será?
A gente filosófa, chora, pensa, ora, reclama, mas o que fica mesmo são as atitudes.
Passei na secretaria da pós e expliquei o meu descuido. A Santa Vania da Faculdade da Tuiuti me concedeu a benção. Não perdi o meu desconto, ela me dará no próximo mês.
Amo pessoas com ATITUDE. Obrigada de coração querida por não ter lavado suas mãos.
Pessoas com bom senso, jogo de cintura, e corretas como você que fazem a diferença.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

To Voltando Pra Casa...

Hoje acordei no meio da madrugada, esbugalhei os olhos e me odiei: " caralh...perdi 80 reais!". Porr@#! Fiquei p... da cara comigo. Desculpem tanta boca suja, inclusive me censuro ao escrever, mas tenho que largar todo esse sentimento aqui. Perdi oitenta reais. PQP. Não acredito... A fatura com direito ao desconto venceu ontem. Não acredito. Briguei por esse desconto da pós, e agora o perdi única e exclusivamente por culpa minha. Por fim, não dormi mais. Insônia. Acordada me martirizando até dois minutos antes de despertar meu celular para de fato acordar. Fiquei irritadíssima. Tomei banho enterrando a bucha no meu corpo pra ver se sangrava. Peguei a primeira roupa do armário porque não podia me arrumar e me sentir bonita depois de perder oitenta reais. Arranquei a areia do gato antes do dia de limpar a caixa higiênica dele. Joguei tudo que tinha na bolsa no chão, pois ontem um chicletes filha da mãe vazou nela. Engoli o café da manhã. Reclamei com a mãe e a Cida. Me martirizei e me arranjei milhões de desculpas pra minha falta de organização. " Tudo aconteceu junto. Trabalho novo, venda do apartamento, voltei pra mãe, compra do apartamento, comecei a pós...tudo em março. E olha que eu ainda tomo ritalina pra ver se me organizo."Cheguei no trabalho, fui pro banheiro, e rezei. De repente me vi sentada num vazo sanitário e voltei aos meus 8 anos de idade. Meu Deus...o que eu tenho feito da minha vida??? Para tudo. Eu quero voltar pra casa. Quando era criança tinha o hábito de me fechar no banheiro e conversar com Deus. hoje com 36 anos, conversei novamente. Comecei a orar, não discutir. Orar. Eu quero parte daquela Sandra de volta. Aquela menina que sentava no chão do banheiro, e orava, chorava, mas tudo ficava bem de coração. Dai lembrei do dia que o Clau morreu. Ele morreu por 80 reais. Pra economizar 80 reais ele foi naquela viagem. E realmente acho que minha vida nunca mais foi a mesma desde então. Já não orava mais no banheiro. Passei simplesmente a chorar no banheiro. E hoje, depois de perder horas de sono, percebi que novamente estou brigando com meu mundo por oitenta reais. Chega. Acorda pra vida Sandra. Deixa de se fazer de coitada. Não é você mesma que te define como uma mulher de 8 ou 80, mas que sempre tentando chegar nos 36??? Buscando o equilíbrio??? Cheguei. 36 anos. Cresce. E por dentro nega, porque esse um 1,50 não vai mudar. Dei um basta em mim mesma. Chorei sentada no vazo. Orei. Revi minha vida. E decidi: " Obrigada senhor por ter perdido esses 80 reais hoje." Fiz as pazes com Deus. Já perdi uma parte da minha vida por economizar esses ridículos 80 reais. Não vou perder a oportunidade de recuperar a minha sanidade com a feliz coincidência de perder 80 reais. Estou voltando pra casa gente, pelo menos to na beira da estrada pedindo carona, e se não conseguir... pago 80 reais pela passagem. Eu me quero de volta!!!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Duas bolas, por favor!

Por Danuza Leão...

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.

Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.

A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de ‘fácil’).

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.

E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão…

Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.

Deixar de lado a régua,

o compasso,

a bússola,

a balança

e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.

Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: ‘Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora’…

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.

Um dia.

Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:

cinco bolas de sorvete de chocolate,

um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’,

uma caixa de trufas bem macias

e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?

Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .


sábado, 16 de janeiro de 2010

Friends for life, not just a summer or a spring

Verão mais chuvoso, férias mais caseiras possíveis, no vermelho como todo inicio de ano pra mim...como não sou muito de filmes, acabo lendo e pensando demais pro meu gosto. Estava relendo meu outro blog , pra ver se retorno a escrever, e me deu saudades dos amigos. Não posso ser injusta com quem esta do meu lado, tenho ótimas amigas, mas também tenho amigas que sempre me fazem ter saudades de outras amigas.
Não por me serem parecidas, e sim por deixarem um vazio que as que guardo a sete chaves nunca deixam, mesmo longe ou do lado.
Não vou citar nomes aqui, nunca faria isso. Minhas amigas do coração sabem com certeza seu valor, algumas delas nem acompanham meu blog, nem sei se sabem que eu tenho um, e nem por isso deixam de ser amiga, óbvio.
Me refiro muitas vezes no feminino, pois são elas as saudosas, meus amigos homens diminuíram consideravelmente, muitos deles pelo fato de eu ser hetero não conseguiram manter o carinho(homens! ruim com, pior sem...), mas ainda assim, eles tem seu lugar guardado.
Mas tenho que desabafar, o que leva uma amiga a sumir só porque esta namorando? Ou pior, o que leva a sumir, se ela esta casada? e pode ser pior ainda, por que sumir se esta sozinha? Já descartei as hipóteses de ter acontecido algo que desagrade a amiga ou o amigo, até mesmo porque de desagradou, é amiga(o), deveria falar.
E quando me pego cercada de gente, com pouco tempo pra distribuir entre todos, me deparo sozinha. Sim, sozinha com um bando de gente ao redor.
Amigo não é pra toda hora não, seria muito egoismo isso, mas penso que pelo menos amigo deveria dizer: agora não. Pronto, simples e basta.
Não estou preocupada com minhas amigas que acompanham meu blog que possam vir a pensar: será que eu fiz algo? Não, as minhas amigas, não vão pensar assim, vão no mínimo dizer: a ta, ainda bem que a carapuça não serviu...
As pessoas a quem me refiro nesse desabafo, ficam tão cegas, que a carapuça nem entra...mas dai o tempo passa, elas terminam o namoro, brigam com o marido, tão p da vida com a mãe ou o pai, ou chegou uma data especial que precisa lembrar da gente, e procuram, como se nada tivesse acontecido.
Mas o que eu estou escrevendo? Nada aconteceu mesmo.
Mulher ociosa da nisso, ah uma roupa pra lavar heim???
Ah...desceu, sabia que tinha algo errado...TPM.
Saudades...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2010! Eparrei!





Anunciação - Alceu Valença

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Essa é a minha filha!

Num final de semana qualquer, onde eu tenho por ritual demorar cerca de uma hora para preparar o café da manhã e mais uma hora para come-lo, eu e minha filha estavamos nos deliciando com nosso suco de laranja com mamão, pão na chapa, frutinhas que gostamos, café pra mim, nescau pra ela e mais umas coisitas...ouvindo Roberta Sá.
Ambas estavamos entusiasmadas cantando quando comecei a cantar direcionado pra ela:

"Não vá subir na Laranjeira, veja lá...
Não vá subir na Laranjeira, veja lá...
Se você cair do galho eu não vou te levantar."

Ela olhou sorrindo pra mim e dando os ombros diz:

"E dai...se eu cair, eu levanto sozinha."

Essa é a minha filha...



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pai

Mais um homem da minha vida dizendo adeus...
Meu pai foi meu porto seguro. Eu era sua filha, amiga, esposa,...
Eu e minha irmã costumavamos dizer que ela era(é) o xodó da mãe e eu a do Pai.
Ele foi internado no dia 21 de agosto deste ano com uma forte falta de ar. Herdei dele a bronquite asmática. Nosso médico nos receitou medicamento para o resto da vida. Fiquei com seu estoque.
Chegando ao hospital, teve uma parada respiratória, seguida de parada cardiaca.Reanimaram em dois minutos, permaneceu sedado e entubado no hospital até o dia 30 de agosto, onde teve que ir.
Com os dias seu quadro foi piorando. Sem vaga na UTI, acabou ficando na emergência aguardando vaga até que o quadro piorou muito, e ops...agora sim surgiu uma vaga, mas já estava com pneumonia e infecção hospitalar.
O quadro não melhorava, e por fim veio o diagnóstico de SARA( Sindrome de Angústia Respiratória Aguda), onde o prognóstico é horrível. Ele não parava de fazer broncoespasmo, e então não conseguiam tratar a SARA.
Os médicos não cansavam de nos informar que o quadro dele era o mais preocupante da UTI, até mesmo mais preocupante que os casos de Gripe A.
As informações oficiais sempre chegavam com atrasos, mas como temos muitos amigos médicos, enfermeiros, acabavamos sabendo das reais notícias um dia antes, e o boletim médico oficial só chegava no outro dia as 15:00hrs. Antes disso se pediamos qualquer informação, a única coisa que ouviamos era: O estado dele é gravissímo.
Com as visitas restritas devido a Gripe A na cidade, foi muito difícil não estar com o pai nesses dias. Acordar e não poder saber como ele passou a noite, me consumia. Não trocar olhar com ele, era terrível. Não ouvir sua voz nesses dias, me torturava. E eu tinha que me manter serena, pois sabia que a única coisa que salvaria meu pai, que o traria de volta pra casa era não ser a sua hora, e então nossas preces e pensamentos positivos ajudariam.
Por esse motivo, me irritava com os médicos frios, que a todo momento queriam que eu enxergasse que meu pai partiria. Eu não estava tapando o sol com a peneira, eu simplesmente não aceitaria a morte enquanto ela não chegasse.
Na segunda, primeiro dia de UTI, os médicos disseram que ele não passaria da noite. Nesse dia deixaram minha mãe se despedir, minha irmã, e eu ainda fui a noite fora do horário. Por fim, ele não só resistiu naquela segunda, como também passou pela primeira sessão de Dialise e ainda teve resposta positiva. Ao todo passou por sete sessões. Eu vibrava com as pequenas notícias: "não estamos mais usando tanta adrenalina"; "os exames de sangue melhoraram"; "ele não esta mais com o máximo do aparelho respirador"; "a saturação de O2 subiu".
Enfim, era isso que me dava esperança. Sim, a esperança dói...doeu quando estava lendo na internet sobre SARA e lia que todos os depoimentos eram de pessoas que perderam seus familiares, mas o que mais me fez chorar foi um depoimento que começava assim: "Eu tive SARA." Nossa, quando li isso chorei muito, pois achei minha esperança ali. Meu pai poderia sobreviver. Então passei a fazer o que sei fazer de melhor. Orar e ter Fé. Servi de ponte pra ele no Centro Espirita, e fiz a minha parte para que soubesse que caso ele tivesse que partir, não seria por falta de preces, nem de pensamentos positivos.
Não posso ser injusta, os médicos, mesmo que frios,alguns(obrigada Dra. Gabriela a médica com o olhar mais doce que me passou o boletim médico; foi muito importante.), todos eram excelentes, e sei que fizeram o melhor. A equipe de enfermagem estava constantemente atenta. A moça que fazia a Dialise, a única que conversava mesmo comigo, um amor de pessoa. A atenção faz a diferença para os familiares, infelizmente não lembro seu nome. O Dr. D'Áquino, que cuidou do meu pai enquanto ele não foi internado. Cuidou dele por 20 anos. Fiz questão de ir a consulta que estava agendada para dois dias depois que ele faleceu. Ele me atendeu dizendo: "então o paizinho foi embora?...". Ele me deixou chorar.
Percebi nesse momento que a frieza de certas pessoas dentro do hospital era total falta de controle emocional. Pois quando alguém chega falando doce com você nessa situação, eles te dão espaço pra você sentir, e por fim mostrar o seu medo e dor. Já se falam com você tecnicamente, e com uma certa frieza, te colocam racional, e consequentemente você se fecha, não abalando quem esta na sua frente. Desculpem, posso até entender, mas não deixa de ser uma atitude egoista.
Quando você passa por uma situação dessa, você vibra com cada pessoa que recebe alta, e ao mesmo tempo, sofre junto com cada perda, mesmo sem ser seu conhecido. É muito importante te darem esperança...mesmo que por pouco tempo. Se meu pai estava lá, sedado, entubado, forte como um touro(palavras de um médico), que direito eu tinha de me entregar antes da hora? Eu tinha que obedecer a ordem natural das coisas. Quando ele parasse, eu então pararia. E parei, acho que ainda estou parada.
Já passei por isso, mas digo, a diferença é grande. Sofri demais com a perda do meu marido, sofri demais com perdas vivas, mas a partida de meu pai foi serena. Dói, dói sim...sofro pouco, pois não me permito sofrer, quando muito permito sentir a dor.
Quando meu marido morreu, por mais que tivesse que resolver a grande maioria das coisas sozinhas, eu tinha meu pai ali. Simplesmente por estar ali. Ele esteve comigo a vida inteira, e sempre...sempre do meu lado.
É estranho não ter mais ele todo sujo mexendo no quintal, orgulhoso de suas bananeiras...é estranho não chegar na casa de meus pais e ver ele na frente de casa passeando com a Babi...é estranho chegar na escada da casa onde passei muito tempo e ainda volto todos os dias e não ver no alto ele me recebendo sempre com olhar doce...é estranho não ouvir ele falando com a bisa...sinto falta dos momentos sentada no computador, na frente da TV ligada, com ele dormindo sentado jurando que estava assistindo.
Desliguei a internet lá. Não posso mais sentar ali.
Ele não tinha um espírito; ele é um espírito. Ele tinha um corpo.
Outro dia a Duda acordou (depois de eu rezar a noite implorando a Deus que a permitisse "sonhar" com o vô) e disse: "Mãe, sonhei com o vô. E ele estava vivo."
Ela é muito fechada. Não havia chorado desde que o vô(que cuidava dela todos os dias) havia sido internado. Após o enterro(claro que não a levei), busquei a Duda e no carro conversando sobre o porquê dela ter recusado o abraço de uma amiga, ela então começou a chorar. Muito. Deixei, dei colo, me emocionei(não consigo chorar quando alguém chora) e soprei seu cabelo: "Filha...ta vendo seu cabelo se mexer? É o vento...tenta pegar ele. Não dá? Não ta vendo o vento? Mas ele esta ai. Voce sente né? O Vô agora se parece com o vento, uma brisa...a gente não vê, não toca...mas pode sentir. Ele sempre existirá. "


Agradecimentos

Muita gente esteve muito presente. Muita gente ajudou mesmo...cada um ao seu modo.Não vou poder citar todas as palavras recebidas, o apoio...eles não vão ser deletados...Vou citar alguns dos muitos momentos especiais...

Virgínia e André: Vocês estiveram comigo por muitos momentos. Tanto no trabalho espiritual, quanto no operacional mesmo. Deram colo, a Vi até comeu pizza cheia de queijo...Notícias reais me chegavam, com serenidade...A Vi, mesmo sendo enfermeira e sabendo da gravidade da situação em nenhum momento tentou tirar a minha fé, muito pelo contrário...isso é ser profissional, humana e amiga.

Simone: sei o quanto você encheu o saco do ex ex marido pra obter informações.

Laci: cuidou da mãe. Ficou presente constantemente. Poucos conhecem o coração doce e escondido dessa mulher.

Ju e Di: Ficaram ao meu lado quando tive que resolver as coisas práticas e funebres. Sei o quanto foi difícil entrar comigo "naquela sala" prima, sei que a tua dor foi igual a minha. Ele vai dançar no dia...e você vai sorrir ao lembrar.

Pati: cuidou da minha irmã, que juntas ficaram constantemente ao lado da minha mãe. Já te disse que você fez a diferença nessa hora.

Rafa e Deise: fizeram Reike. Energias positivas quando precisamos.

Gi: obrigada por vir prontamente e ficar com minha familia. A tua amizade sincera com a Dê foi super importante.

Déa e Caro: largaram tudo e se jogaram de outra cidade pra me dar um abraço. Minha prima amiga e minha amEguinha, ambas dividiram apartamento comigo na faculdade. Início da prática diária de sobrevivência foi com elas...rs.

Tati: teu silêncio foi cheio de palavras amiga. Tua energia e serenidade esteve comigo constantemente.

Tati(Corbélia) e Dani (Chapecó): Que falta fazem. Um telefonema, uma mensagem e se fizeram presentes. Tati é um pouco mãe. Dani é um pouco irmã.

Nê, Carol e Dr. Aldo: agilizaram todo a minha agenda na Clínica.

Catia: me deu força e esperança. Passou por maus bocados e a fé venceu. Foi primordial neste momento te ouvir.

Jana e Luka: Ficaram com a Duda. Foi muito importante a segurança e cuidado que deram nos momentos em que eu não poderia.

Fran: é sempre bom ter uma amiga despachada e sem medidas nessas horas. Me colocou no telefone com o médico quando eu não tinha notícias do que estava acontecendo.

Pri e Aron: a presença, o choro...sei o que reviveram...

Aninha: obrigada pelo teu abraço descalça(eu percebi)...e por não duvidar do meu profissionalismo num momento desse.

Familia Carreira: telefonemas diários de Portugal. Verdadeiros pais de meu pai. Irmãs de coração. Estavem presentes em pensamento e no mural.

Dra. Gariela (UTI Regional) e Dra. Thais: obrigada pelas palavras doces nos momentos em que a esperança diminuia. O Racionalismo não foi maior que o Humanismo. Isso é ser Doutora de Almas.

Padre Bertino: Um Ser Humano. Ele vive a caridade muito mais que sua própria igreja.

Kátia: a música fez a diferença. Nosso Deus é lindo sim amiga.

Duda: Obrigada por escolher estar do meu lado nesta encarnação. Por ser adulta e criança. Por me deixar chorar. Por me ouvir. Por sonhar. Te amo do tamanho do universo pra sempre.


Agradeço do fundo do coração todos os telefonemas e as mensagens no celular, no orkut, nos sonhos...obrigada pela presença no dia D...obrigada pelos abraços e olhares...obrigada pelo silêncio.

P.S: Desculpem se não citei todos. O psiquiatra ta desconfiando de Déficit de Atenção mais que Depressão...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eu acredito em Duendes



Esse ano, na Páscoa, minha filha resolveu perguntar se o coelhinho da páscoa existia mesmo. Pensei em como dizer a ela "a verdade", sem cortar seus sonhos de criança. Então com todo cuidado, disse que achava que na verdade o coelhinho da páscoa eram os pais e amigos das crianças que deixavam os ovinhos escondidos. Ela mais que depressa me fez lembrar de um dia quando ela acordou e viu as marcas das patas no chão por toda a casa."...eram marcas iguais as patinhas e todas molhadas de chocolate mamãe..."
Resumindo acabei por dizer que realmente o coelhinho da páscoa existia. E não menti.
Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do dente, Duendes...sim, eles de uma certa forma existem.
O momento foi tão mágico naquele natal em que ela viu apenas um vulto vermelho logo depois de ouvir a campainha e viu a bicicleta no final da escada; ou as marcas das patas do coelho pela casa, embora ao acordar meus dedos ainda estivessem doces do nescau. Como dizer que eles não existem. Ela sentiu, ela viveu. Eu participei daquele momento mágico. Sou testemunha ocular e sensitiva de que ela estava correta, e que eu não a enganava e sim participava e sentia junto. Menti? Não, não menti.
Segundo uma tal Teoria da Mentira: "o objetivo da mentira é nos impedir de distinguir o verdadeiro do falso. É confundir, é iludir, é enganar e, assim, nos levar a tomar decisões erradas (para nós), mas que beneficiam quem criou e espalhou a mentira”.Portanto, se não foi esse meu objetivo, não menti.
O que me remete a pensar em todas as vezes que me achei mentirosa ou enganada. Menti mesmo quando coloquei a moeda embaixo do travesseiro? Mentiram pra mim, ou acreditavam naquilo? A teoria da mentira não é assim tão simples.
Lá vou eu me recitar: Sinto, logo existo. E completo. Se amo, sinto, não minto...vivo junto a mesma verdade, a nossa verdade.
Eu posso ter espalhado marcas pela casa, posso ter me vestido de papai noel, posso ter dito que era a Babi mexendo a cortina enquanto ela chorava de um pesadelo achando ser um fantasma. Mas não aceito dizer que menti, fantasiei sim, mas o objetivo não era enganá-la e sim fazê-la feliz.
Cuidado, não use essa "teoria" pra desculpar suas mentiras... Ela ainda não esta comprovada. Ela é apenas sentimento. Estou apenas fantasiando a mentira...
Mentiras existem sim. Já as usei em meu benefício e nem me lembro se foram descobertas.
Um dia a Duda vai saber que não eram marcas do coelho pela casa, mas o sorriso dela foi verdadeiro. Isso nunca mais vai ser apagado. Eu era o próprio coelho, portanto o coelho da páscoa existiu sim. Logo, eu posso acreditar em Duendes. Afinal, eles estavam no quintal da minha casa quando eu era criança. Eu vi...